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Empresa tecnológica e linguagem popular

Por José Ramom Pichel Campos






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Todas as empresas para poder vender necessitam continuamente novos produtos ou serviços que os diferenciem dos seus concorrentes. No mundo da tecnologia isto fai-se mais rápido por causa da grande velocidade do setor.

Sem diferenciação é complicado sobreviver. A estas diferenças se lhe chamam "vantagens competitivas". Para poder ter continuamente estas vantagens é preciso realizar investigação, desenvolvimento e inovação (I+D+i), intuição, dinheiro, estar no centro do mundo, esforço e por suposto a sorte.

Mas para mim para além deste interesse das empresas pola diferenciação continua é muito engraçado como a linguagem empresarial e sobretudo a linguagem que se está a usar nas empresas tecnológicas está influindo na linguagem popular, fazendo que situações a priori de desvantagem, de súbito se tornem situações de vantagem. Vejamos alguns exemplos. "Vantagem competitiva" é o mesmo conceito que diferença. Aquilo que nos diferencia é aquilo que nos dá mais probabilidades de ter mais oportunidades de venda numa empresa. Nas empresas tecnológicas sem ciclos contínuos que gerem novas vantagens competitivas a sobrevivência é mesmo complexa, por não dizer impossível.

Também o conceito "oportunidade" é um termo positivo que está a influir na maneira de como vemos a realidade. Se a vida em vez de estar cheia de obstáculos está cheia de oportunidades, o jeito de nos enfrentar a ela vai ser provavelmente muito melhor.

Outro dos termos que se estão a usar cada vez mais na sociedade é o termo "desafio". Não há muitos anos quando um político começava a falar sobre uma questão complicada começava o discurso como "A questão é..." "A dificuldade é que...". Mas agora esses dous termos forom mudados por "O desafio é...". Frente ao obstáculo, a palavra desafio gera em nós ganas de empreender o caminho da solução. O que antes paralisava agora dá ganas de andar. E por último um termo que se começa a usar "oportunidades de melhora".

Quando se revisavam entre companheiros códigos de programação na procura de erros, as pessoas tinham tendência a não encontrar erros, porque pensavam que quando em vez de ser eles os revisores fossem eles os revisados haveria vingança e apareceriam mais erros. Com uma simples mudança, deixando de usar "erro" usando "Oportunidade de melhora", aparecerom nos programas muitas oportunidades de melhora (erros de programação) com uma alegria espantosa. A linguagem mais uma vez são os óculos da realidade.

(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.






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